terça-feira, 27 de dezembro de 2011

INCOERÊNCIA VIROU COSTUME !


Desde que o mundo é mundo, aliás, de que o Brasil é Brasil, acompanhamos fatos, no mínimo, incoerentes.

Lembre-se que, na fase do “Brasil Colônia”, embora a coroa portuguesa prometesse o “paraíso no novo continente”, na verdade, só eram enviados para cá os “banidos” e não os “queridos” de Portugal.

Em seguida, foi a vez da Família Real, que embora bradasse promessas de progresso para o “novo mundo”, na verdade,  estava apenas fugindo de Napoleão e buscando “novos súditos” para o seu reinado.

Daí em diante, mais uma série de incoerências tomaram conta.

Foi uma independência ou morte fajuta daqui; uma república fabricada ali; um governo provisório que durou 15 anos; um golpe militar que queria moralizar e virou uma ditadura imoral... e a vida foi seguindo seu curso e desembocando neste Brasil “de agora”...

De fato, sobrou uma herança nada agradável...

As promessas continuam a existir e as incoerências também.

Embora ouçamos dizer que as prioridades são o “desenvolvimento econômico e social” e a “erradicação da pobreza”, o que se percebe é a preocupação com o “desenvolvimento pessoal”.

O novo valor proposto para o salário mínimo é de R$ 622,00, o maior valor real desde 1983, isto é, em quase 30 anos.
O novo salário aprovado representará um aumento de 14,13% em relação ao atual piso, que é de R$ 545,00, uma vez desconta a inflação, o reajuste real será de 9,2%.
Por outro lado, ao acordar na manhã do dia 23 de dezembro do corrente ano as manchetes dos jornais estampavam a seguinte matéria:

 “A Câmara de Montes Claros, no Norte de Minas, aprovou ontem o reajuste de 46% para os 23 vereadores que assumirão mandato em janeiro de 2013. Os vencimentos deles vão passar dos atuais R$ 9.608,55 para R$ 14.029,65. Para evitar qualquer desgaste e protesto da população, os vereadores usaram a estratégia de apresentar e votar o projeto em plenário a toque de caixa, em regime de urgência. Também foram reajustados os salários do prefeito, do vice e dos secretários municipais para o próximo mandato.” (Estado de Minas)

Ao lado dela, retratos do descaso com a saúde, educação, saneamento e outras tantas prioridades que são deixadas de lado ao solteiro argumento de falta de “dinheiro público”...

Não se tem aqui um discurso contrário ao reajuste salarial de representantes do “povo” (nossos), até mesmo porque, investidos no cargo para o qual foram eleitos, cabem a eles a representação popular em tempo integral...

O que se registra aqui é um manifesto contra o valor do reajuste, o qual deveria acompanhar os calorosos discursos apresentados sobre a escassez de verbas para investimento na saúde, educação, saneamento, etc.

É impossível conceber a idéia de um aumento de tamanha envergadura (In)moral (46%) quando se considera o baixo poder de compra um cidadão médio (salário mínimo), quando se observa a crise na saúde pública e ainda o crescente aumento da pobreza local.

É preciso mudar, é preciso denunciar, é preciso mostrar que estamos de olho...

Contem comigo.

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