Desde que o mundo é
mundo, aliás, de que o Brasil é Brasil, acompanhamos fatos, no mínimo,
incoerentes.
Lembre-se que, na fase
do “Brasil Colônia”, embora a coroa
portuguesa prometesse o “paraíso no novo
continente”, na verdade, só eram enviados para cá os “banidos” e não os “queridos”
de Portugal.
Em seguida, foi a vez
da Família Real, que embora bradasse promessas de progresso para o “novo mundo”, na verdade, estava apenas fugindo de Napoleão e buscando
“novos súditos” para o seu reinado.
Daí em diante, mais uma
série de incoerências tomaram conta.
Foi uma independência
ou morte fajuta daqui; uma república fabricada ali; um governo provisório que
durou 15 anos; um golpe militar que queria moralizar e virou uma ditadura
imoral... e a vida foi seguindo seu curso e desembocando neste Brasil “de
agora”...
De fato, sobrou uma
herança nada agradável...
As promessas continuam
a existir e as incoerências também.
Embora ouçamos dizer
que as prioridades são o “desenvolvimento econômico e social” e a “erradicação
da pobreza”, o que se percebe é a preocupação com o “desenvolvimento pessoal”.
O
novo valor proposto para o salário mínimo é de R$ 622,00, o maior valor real
desde 1983, isto é, em quase 30 anos.
O
novo salário aprovado representará um aumento de 14,13% em relação ao atual
piso, que é de R$ 545,00, uma vez desconta a inflação, o reajuste real será de
9,2%.
Por outro lado, ao acordar na manhã do dia 23 de
dezembro do corrente ano as manchetes dos jornais estampavam a seguinte
matéria:
“A Câmara de Montes Claros, no Norte de
Minas, aprovou ontem o reajuste de 46% para os 23 vereadores que assumirão
mandato em janeiro de 2013. Os vencimentos deles vão passar dos atuais R$
9.608,55 para R$ 14.029,65. Para evitar qualquer desgaste e protesto da
população, os vereadores usaram a estratégia de apresentar e votar o projeto em
plenário a toque de caixa, em regime de urgência. Também foram reajustados os
salários do prefeito, do vice e dos secretários municipais para o próximo
mandato.” (Estado de
Minas)
Ao lado dela, retratos do descaso com a saúde, educação,
saneamento e outras tantas prioridades que são deixadas de lado
ao solteiro argumento de falta de “dinheiro público”...
Não se tem aqui um discurso
contrário ao reajuste salarial de representantes do “povo” (nossos), até mesmo
porque, investidos no cargo para o qual foram eleitos, cabem a eles a
representação popular em tempo integral...
O que se registra aqui
é um manifesto contra o valor do reajuste, o qual deveria acompanhar os
calorosos discursos apresentados sobre a escassez de verbas para investimento
na saúde, educação, saneamento, etc.
É impossível conceber a
idéia de um aumento de tamanha envergadura (In)moral (46%) quando se considera
o baixo poder de compra um cidadão médio (salário mínimo), quando se observa a
crise na saúde pública e ainda o crescente aumento da pobreza local.
É preciso mudar, é
preciso denunciar, é preciso mostrar que estamos de olho...
Contem comigo.
Coerente como de costume sua linha de pensamento meu futuro Vereador!
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